Peculiar. É assim que descrevo o jeitinho português, porque às vezes tenho a certeza de que falamos línguas diferentes. Certo dia numa delicatessen, eu queria encomendar uma torta para uma festinha de aniversário, mas para a minha surpresa, não havia tortas. Ah, mas bolo de aniversário, sim! (Pausa para respirar). Achei que a confusão pararia por ai, mas não é que o bolo dá trabalho? Uma colega de intercâmbio também queria um bolo, dessa vez no café da universidade, eis que ela pergunta quais os sabores de bolo que tinha lá e não haveria resposta melhor: “Não sei, não como bolos”. Juro que se eu estivesse lá na hora eu ia rir muito, como assim? As perguntas por aqui tem que ser muito diretas ou talvez não nos façamos entender.
No Porto, ah, o Porto! Eu e uma colega procurávamos pelo supermercado, paramos um casal e perguntamos. A resposta? Já devíamos imaginar algo parecido: “Pingo doce nessa rua? Acho que não há, mas há um naquela rua lá”. Tudo porque perguntei onde tinha um Pingo Doce “por aqui”.
Consertar algo? Jamais, aqui tudo é reparado ou jogado fora, ops, eu falei jogar? Errado. Deitar fora. Estranho, não? Mas não para por ai, pergunta a um adolescente a idade dele, certamente ele terá dezasseis, dezassete ou talvez dezanove! Nas boates (não, discotecas) a “perca” do cartão implica em multa e o Chopp não existe, se quiser um, peça por um fino. As cuecas servem para homens e mulheres, as blusas são camisolas e as camisas são T-shirts. T-shirts? Vai enteder.
Complicado mesmo é pedir um café. Pingo direto, cheio, galão, curto, o que aconteceu com a média? E ele é servido numa chávena. Chique, hein? Ir ao supermercado é descobrir novas palavras: meu querido presunto não é presunto, é fiambre. A pasta/creme dental é dentrífica (que palavra interessante) e o lenço é “húmido”. O açougue é talho, banheiro é casa de banho, geladeira é frigorífico, vaso sanitário é sanita, sorvete é gelado, abacaxi é ananás, suco é sumo e eles quase não usam liquidificador. Os meninos são miúdos, os moleques são putos, as moças são raparigas, os rapazes são gajos e tudo que é bonito é giro. Se pá, outra língua.
Aqui ninguém entende, todo mundo percebe, estás a perceber e nunca percebendo. Por ou colocar também não é comum, aqui “mete-se”, mete isso aqui, mete isso acolá. “Caralho” serve como vírgula, exclamação, ponto final, etc. Está para o português como “porra” está para o baiano. Ônibus é autocarro, metrô é metro e comboio é trem, se quer descer no próximo ponto, é a próxima paragem. Atravessar a rua tem que ser na faixa! Errado, é na passadeira e por falar em trânsito, como dirigem mal por aqui, quer dizer, estacionam mal. Já vi muitos carros estacionados metade na vaga e a outra na calçada ou na rua mesmo, no meio do caminho.
Por aqui o maior também é maior, mas o menor, ah, esse é mais pequeno! Estás a ver? As nossas línguas são irmãs, mas não são as mesmas, se calhar não falamos Português e sim Brasileiro.
No Porto, ah, o Porto! Eu e uma colega procurávamos pelo supermercado, paramos um casal e perguntamos. A resposta? Já devíamos imaginar algo parecido: “Pingo doce nessa rua? Acho que não há, mas há um naquela rua lá”. Tudo porque perguntei onde tinha um Pingo Doce “por aqui”.
Consertar algo? Jamais, aqui tudo é reparado ou jogado fora, ops, eu falei jogar? Errado. Deitar fora. Estranho, não? Mas não para por ai, pergunta a um adolescente a idade dele, certamente ele terá dezasseis, dezassete ou talvez dezanove! Nas boates (não, discotecas) a “perca” do cartão implica em multa e o Chopp não existe, se quiser um, peça por um fino. As cuecas servem para homens e mulheres, as blusas são camisolas e as camisas são T-shirts. T-shirts? Vai enteder.
Complicado mesmo é pedir um café. Pingo direto, cheio, galão, curto, o que aconteceu com a média? E ele é servido numa chávena. Chique, hein? Ir ao supermercado é descobrir novas palavras: meu querido presunto não é presunto, é fiambre. A pasta/creme dental é dentrífica (que palavra interessante) e o lenço é “húmido”. O açougue é talho, banheiro é casa de banho, geladeira é frigorífico, vaso sanitário é sanita, sorvete é gelado, abacaxi é ananás, suco é sumo e eles quase não usam liquidificador. Os meninos são miúdos, os moleques são putos, as moças são raparigas, os rapazes são gajos e tudo que é bonito é giro. Se pá, outra língua.
Aqui ninguém entende, todo mundo percebe, estás a perceber e nunca percebendo. Por ou colocar também não é comum, aqui “mete-se”, mete isso aqui, mete isso acolá. “Caralho” serve como vírgula, exclamação, ponto final, etc. Está para o português como “porra” está para o baiano. Ônibus é autocarro, metrô é metro e comboio é trem, se quer descer no próximo ponto, é a próxima paragem. Atravessar a rua tem que ser na faixa! Errado, é na passadeira e por falar em trânsito, como dirigem mal por aqui, quer dizer, estacionam mal. Já vi muitos carros estacionados metade na vaga e a outra na calçada ou na rua mesmo, no meio do caminho.
Por aqui o maior também é maior, mas o menor, ah, esse é mais pequeno! Estás a ver? As nossas línguas são irmãs, mas não são as mesmas, se calhar não falamos Português e sim Brasileiro.
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