domingo, 18 de dezembro de 2011

Depois de Portugal, antes da Espanha..

 Por Taiane Nazaré

Última parada ao Norte de Portugal. Se pegar um autocarro pra qualquer cidade em direção acima do Tejo, um longo cochilo e pode terminar em Bragança. Ouve-se por aí, que alguns políticos em Lisboa nem consideram Bragança parte de Portugal. Mas isso é política, outro papo!  
Primeira a ter título de cidade, Bragança é cheia de tradições. Com divertidos e estranhos costumes. Quando lia as crônicas do Mario Prata sobre a vida em Portugal, achava engraçada a forma como ele caracterizava os portugueses e seu jeito extrovertido em descrevê-los. Hoje, enxergo os portugueses mais ou menos assim. Pra não levar tudo tão a sério. Mais isso é outro texto, outra história.
Cidade histórica, fronteira com a Espanha, (há menos de uma hora de Zamora). Bragança é cercada de pequenas aldeias e vilas. Com apenas 25 mil habitantes no perímetro urbano, é considerado o maior distrito da região de Traz-os-Montes, como é conhecido esse sítio. Português brigantino é diferente de qualquer outro português. Sotaque carregado, bem mais forte que os estereótipos das telenovelas brasileiras. Sua população tem uma quantidade significativa de idosos – (Mais de 6.802, segundo o Censo de 2001). São também as poucas pessoas que pegam autocarros nessa cidade. Fora os idosos, todos fazem tudo a pé. Em Bragança não precisa de transporte. Ir para faculdade, hospital, biblioteca, teatro e discotecas. Pra tudo se chega andando. Devagar e sempre.

Castelo de Bragança localizado no centro histórico da cidade. Foto: Anna Luiza 

Trabalho de português
Em Bragança, por sinal, estereótipo é pura verdade. Falam alto, só eles se entendem, dão nomes estranhos para as coisas, complicam o que poderia ser simples e ainda querem confundir o que já está resolvido. Só respondem ao pé da letra o que se pergunta: -Tem horas? – Sim.
Quando pedir uma informação de onde ir, ou onde fica tal lugar a um português, se ele ousar ter dúvida, desista e passe pro próximo. Ele também não sabe e ainda pode te deixar mais confuso. Para eles tudo é lógico: “lógico que sim! - lógico que não! - lógico que vai!..”.  Mas, português toma banho?(me recuso a responder). Gostam de festa com muita comida, família sempre reunida, vizinhos e quem for bem-vindo, pode chegando. A comida nunca acaba. Com suas boinas típicas, blusas xadrez e um pacote de pão embaixo do braço, sempre. Maioria, católica, tem costumes de ir à missa aos domingos e as viúvas andam de preto o resto da vida.
Pouco texto para muitas situações engraçadas que você pode se deparar em Bragança. Mas, calma, ainda há tempo para aprender e conhecer dos brigantinos e seu jeitinho português de viver.

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